Sempre que abro o linkedin e demais redes sociais, vejo muitas pessoas falando sobre gestão moderna, novas formas de liderar, criando novas certificações, propondo novas formas de fazer a mesma coisa e achando que isso é um ponto de ruptura. Explico:

Ponto de ruptura: é uma expressão que traduz o momento exato em que ocorre um rompimento, interrupção ou anulação de um processo, um pacto ou um tratado. No nosso caso, quando falamos de práticas de gestão moderna, precisamos entender qual é o nosso ponto de ruptura entre um modelo e outro.

Vamos analisar os modelos organizacionais pelo prisma proposto por Paul Baran. Você pode saber mais sobre o trabalho dele aqui.

Gestão 1.0:

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Nesse primeiro modelo proposto por Paul Baran, temos a imagem de uma estrutura organizacional baseada em um nó central com todas as informações passando pelo “dono” para depois ser replicada aos demais. As decisões eram autocráticas e autoritárias. As pessoas apenas recebiam ordens e se reportavam a esse nó central. Se pudéssemos colocar essa imagem em 3D, ela seria, possivelmente, como na imagem abaixo. Foi nesse ponto da estrutura organizacional que surgiram jargões e frases tais como: Você é pago pra fazer, não para pensar. Quem segue o general nunca se dá mal e outras pérolas mais.

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Imagem da organização 1.0 — Créditos: Friends of Tomorrow

Gestão 2.0:

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Já na gestão 2.0, temos a descentralização de um modelo matricial forte para redes mais distribuídas, mas não autônomas. O intuito era cuidar das pessoas e fazer com que se sentissem bem no ambiente de trabalho, afinal, recentes pesquisas diziam que pessoas felizes rendiam mais. A ideia foi nobre e abriu caminho para experimentações diferentes. Já na execução… O poder foi dividido com a média gestão, o que tornou a figura do gestor fortalecida, visto que ele agora possui líderados (o que acabou se confundindo a cabeça das pessoas sobre o que é gestão e o que é liderança). Foi aqui, nesse ponto, que de fato nasceram as nossas hierarquias. Se pudéssemos ver uma foto em 3D, ela seria assim, possivelmente:

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Imagem de uma hierarquia 2.0 Créditos: Friends of Tomorrow

Os pontos de ruptura até aqui são extremamente claros, históricamente comprovados, com cases e mais cases. Esse segundo, inclusive, praticado até hoje na maioria das organizações.

O que é gestão 3.0?

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A organização 3.0 é baseada em um contexto totalmente diferente, onde não temos mais um nó central. Cada nó possui o mesmo nível de informação. Portanto, tendem a ser mais inovadoras, resilientes e ágeis. Todos sabem e possuem propósito no que fazem. Individuais e/ou coletivos. Todos podem interagir e trabalhar com outras pessoas, com diferentes conhecimentos, contanto que faça sentido para eles. Nessa visão, não existe liderança média determinada e definida. A liderança pode ser exercida por qualquer pessoa da empresa, dependendo do seu contexto ou por todos da organização, se for necessário. Então, como podem notar, não existe espaço para uma hierarquia que não seja a baseada em colaboração de fato.

Olhando para a imagem abaixo, fica claro o motivo do Jurgen Appelo ter criado o Martie:

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Imagem 3D de uma estrutura em redes. Créditos: Friends of Tomorrow

Feitas as devidas referências e considerações. Seguem os paradoxos:

Paradoxo número 1: Se existem essas três visões atualmente sobre estruturas organizacionais e se grande parte das empresas ainda praticam o modelo de Gestão 2.0, como estamos falando de empoderamento de fato das pessoas?

Paradoxo número 2: Se estamos caminhando para o cenário da economia moderna e compartilhada, por que investimos tão pouco na mentoria por network e apostamos em gurus de soluções mágicas ? Texto bacana sobre o assunto aqui.

Paradoxo Final: Se ainda não chegamos ao terceiro modelo da transformação conhecida como “Digital”, proposta e fundamentada por Jurgen Appelo, como alguém pode criar, vender e dizer viver modelos mais evolutivos? E o fundamental? Qual é o ponto de Ruptura desse modelo mais evolutivo?

Esses pontos só reforçam a visão do Admirável velho novo gestor, que dá nomes diferentes para coisas antigas que não criou, dando a elas um olhar “digital” que convenhamos, é velho.

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